
MIXED METALS
Por muito tempo, misturar metais foi tratado como um erro de styling: prata com prata, ouro com ouro, e nunca os dois juntos. Essa regra não sobreviveu a 2026. O mix de metais se consolidou como uma das apostas mais fortes da joalheria contemporânea, e os relógios estão bem no centro desse movimento, funcionando como a peça que "autoriza" o resto do look a se libertar dessa lógica rígida.
O relógio bicolor como porta de entrada
Um dos pontos mais interessantes apontados por editores de moda é que o relógio bicolor costuma ser o primeiro contato das pessoas com o mix de metais, muitas vezes sem que percebam. A estilista Jenny Bird observa que boa parte das pessoas já possui, sem saber, uma peça "iniciadora" desse hábito: o relógio bicolor que usam no dia a dia. A partir dele, misturar prata e ouro no restante do look deixa de ser um risco e passa a ser natural, porque a peça central do pulso já dá esse recado.
Marcas de relojoaria também reforçam esse papel: o relógio bicolor funciona como uma espécie de "ponte" que permite combinar joias douradas e prateadas sem parecer desalinhado, o que explica por que peças como o Rolex Datejust, historicamente construídas em aço e ouro, voltaram a ser tão desejadas.
Por que o "Rolesor" virou case de estudo
O termo Rolesor, nasceu da alta relojoaria em 1933 para descrever a combinação de aço e ouro, ganhou um novo capítulo em 2026. Especialistas em relojoaria descrevem esse movimento como algo que vai além da estética: o bicolor equilibra o lado utilitário do relógio esportivo com o peso simbólico das peças em metal precioso, permitindo que a mesma peça circule entre o dia a dia, o fim de semana e ocasiões mais formais sem parecer deslocada. Variações como o tom acobreado mostram como o conceito de bicolor já deixou de ser apenas prata e ouro tradicionais para incorporar novas paletas.
Quiet luxury também é mix de metais
Diferente do que se poderia imaginar, misturar metais não contradiz o movimento quiet luxury. Pelo contrário: quando bem dosado, o bicolor é descrito como uma forma de "luxo discreto" no pulso, um detalhe que capta luz e adiciona sofisticação sem gritar. A recomendação recorrente entre estilistas é deixar o relógio como ponto focal, evitando empilhar excesso de joias na mesma altura, e reservar pulseiras finas (de preferência em um dos dois metais presentes no relógio) para o outro pulso ou para complementar de forma sutil.
Alguns cuidados aparecem com frequência nos guias de styling:
Evitar excesso de brilho no mesmo pulso. Multiplicar peças muito chamativas ao lado do relógio tende a poluir o visual em vez de valorizá-lo.
Não misturar tons quentes demais sem critério. Combinar ouro amarelo, rosé e champagne ao mesmo tempo, sem um fio condutor, é um dos erros mais comuns apontados pelos editoriais.
Cuidado com o volume da caixa. Quando o objetivo é elegância discreta, um relógio bicolor muito volumoso pode inverter a lógica e virar ostentação em vez de sutileza.
O reflexo no resto da joalheria
O mix de metais no pulso conversa diretamente com o que acontece no restante da joalheria em 2026. Guias de tendência descrevem anéis empilhados combinando ouro amarelo, ouro branco e prata em texturas diferentes, colares e correntes com elos bicolores, e até chokers que usam a mistura de metais para dar um toque mais contemporâneo a peças clássicas. A lógica é a mesma em todas as categorias: menos rigidez, mais composição pessoal.
Esse movimento também é lido pelo mercado como reflexo de um desejo maior por versatilidade. Como uma joia bicolor já resolve o eventual conflito entre fivelas, botões e outros detalhes metálicos do look (uma bolsa com fecho dourado, um cinto com fivela prateada), ela funciona como um "coringa" estilístico, o que ajuda a explicar por que esse tipo de peça vem sendo tratado não como modismo passageiro, mas como direção de estilo mais permanente.
Como aplicar a tendência
Para quem quer aderir sem errar a mão, o caminho mais seguro segundo os especialistas é começar justamente pelo relógio: escolher um modelo bicolor como base e, a partir dele, ir incorporando aos poucos outras peças que dialoguem com os dois metais presentes na caixa e na pulseira. É um jeito de experimentar a tendência com uma peça que já está pensada para funcionar como um "meio-termo" perfeito entre ouro e prata, sem exigir grandes mudanças de guarda-roupa ou joalheiro.
Matéria construída com base em coberturas de tendência de moda, relojoaria e joalheria de 2026 (Who What Wear, Glam, Mostra, SwissWatchExpo, ChronoNation, entre outras), reunindo o consenso do mercado sobre o mix de metais como direção de estilo.













